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21 de maio de 2009

"Pulp Fiction" (1994)


Três histórias são apresentadas de forma não cronológica. Numa, conhecemos Vincent Vega (John Travolta) e Jules Winnfield (Samuel L. Jackson), dois mafiosos que vão cobrar dinheiro. Noutra história, Vincent tem que levar a mulher do seu patrão (Uma Thurman) para se divertir enquanto ele viaja, mesmo com todos os boatos que rodeiam o caso. Por último, conhecemos Butch Coolidge (Bruce Willis), um lutador que deve lutar num combate com um vencedor já definido.Todas estas histórias têm algo em comum: falam todas de um mundo de crime, sexo, violência e drogas. Resumindo, estão garantidas mais de duas horas de pura diversão com o humor negro que só um gênio como Quentin Tarantino sabe oferecer. E como já é habitual no realizador, o filme não segue um fio cronológico linear. Opta em vez disso por contar as histórias sem um tempo de base definido, mas no entanto, nunca nos sentimos perdidos, pois no final tudo se encaixa perfeitamente bem. Isto deve-se aos pequenos detalhes que surgem numa cena e que parecem não ter importância, mas que são explicados mais á frente.Além dos detalhes e do (já citado) modo como a história é contada, outro aspecto que chama a atenção no oscarizado argumento de Pulp Fiction (vencedor do Óscar de Melhor Argumento em 1995) é o modo como Tarantino trata assuntos delicados de maneira tão singular e peculiar. Os diálogos são fortes, extremamente bem desenvolvidos e na maioria das vezes apresentam um humor negro que noutros filmes não têm piada. Mas aqui tudo parece tão natural, que consegue proporcionar uma visão única do dia-a-dia das personagens e dos assuntos abordados.O elenco é de luxo: desde a grande interpretação de John Travolta (que revitalizou a sua carreira), passando por Samuel L. Jackson, Christopher Walken, Bruce Willis, Uma Thurman, a portuguesa Maria de Medeiros, até ao pequeno papel de Tarantino. Todos eles estiveram tão bem nos seus papéis que é complicado destacar apenas um. Estas interpretações de qualidade devem-se precisamente ao argumento e originaram momentos únicos, tensos, divertidos e memoráveis da história do cinema. Como exemplos, temos a famosa dança das personagens de Travolta e Thurman e Samuel L. Jackson a recitar uma passagem da bíblia que fala de vingança.Todo o mérito do sucesso de Pulp Fiction é de Tarantino. Gastou apenas 8 milhões para fazer um dos melhores filmes de sempre e facturou mais de 200 em todo o mundo. É um excelente realizador e director de actores e filma como ninguém. Escolheu por diversas vezes cenas longas, mas que nunca se tornam cansativos. Outro ponto fortíssimo de Pulp Fiction é sua banda sonora, que encaixa na perfeição e nos mantém agarrados á cadeira até ao último segundo! Quem é que não se lembra da famosa: "Girl, You'll Be a Woman Soon" ou da música da famosa dança "You Never Can Tell"?Resumindo, Pulp Fiction é uma obra genial e impossível de definir numa só palavra. Foi igualmente o filme que revolucionou o cinema independente norte-

pular a cerca


Nova proposta de animação da Dreamworks, que gerou há meses o mediano Madagáscar, Pular a Cerca alia às obrigatórias doses de humor uma vertente de mensagem ecológica, apostando num argumento simples mas com uma curiosa sátira ao consumismo.A premissa parte do final da hibernação de um grupo de animais de um bosque, que ao acordarem se surpreendem quando percebem que o local onde sempre viveram começa a ser ocupado por estranhos e inesperados vizinhos.Um amigo recente, o guaxinim RJ, explica-lhes que as suas novas companhias são uns seres conhecidos como "humanos" e desde logo causa entusiasmo ao apresentar as potencialidades que estes oferecem, nomeadamente os tentadores e ilimitados armazenamentos de comida.Contudo, esta auspiciosa descoberta será marcada por episódios conturbados, uma vez que os planos de RJ são mais obscuros do que este dá a entender, e embora a tartaruga Verne, líder do grupo, suspeite das suas intenções, todos os elementos não hesitam em apoiar o novo membro.Tim Johnson e Karey Kirkpatrick conseguem aqui uma obra que não traz nada de novo à linguagem da animação digital mas não deixa por isso de ser uma agradável surpresa, valendo pelo argumento imaginativo q.b., pelas personagens suficientemente divertidas e algumas sequências carregadas de uma energia contagiante, disparando gags que se adequam tanto ao público infantil como ao adulto.Explorando por um lado a habitual temática dos laços de amizade e da importância da família a par de questões actuais como a protecção do ambiente ou o materialismo, Pular a Cerca tem ainda como mais-valia o sólido trabalho de vozes (a cargo de nomes como Bruce Willis, Steve Carell ou Nick Nolte), e se dificilmente ficará como um marco na animação é, pelo menos, um dos filmes mais divertidos de 2006, que entretém sem insultar a inteligência do espectador.